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18/04/2019

Empoderamento Feminino – Parte 1

Quando estive no TDC (The Developer´s Conference), em 2018, um comentário recorrente me chamou atenção: as pessoas, ao conversarem comigo, mencionaram como deveria ter sido difícil ser mulher e estudar tecnologia nos anos 80 e trabalhar nesse ramo numa época dominada pelos homens. Fiquei pensando sobre o assunto até porque alguns amigos já tinham comentado que eu deveria escrever sobre o assunto e mostrar para as pessoas como me reinventei e me mantive atualizada por toda a minha carreira.

Onde eu acho que tudo começou…

Meu interesse pela área de exatas aconteceu quando eu ainda era criança, por volta de uns 5 a 6 anos. Eu gostava das bonecas mas também gostava de jogar dominó com a minha avó e baralho com meu pai, jogos que exigiam um certo raciocínio lógico. Além disso tinha um gosto pela engenharia civil pois adorava criar castelos, pontes e casas com os blocos de madeira ou com um brinquedo similar ao lego, o polly da estrela.

Na escola sempre fui uma aluna dedicada. Gostava muito de matemática e ia bem nas demais matérias. Eu podia até ser um dos nerds da sala, mas tinha os meus momentos de travessura. Ainda na 3a. série do primário, convenci a sala toda a ir embora da escola porque a professora estava atrasada para a aula. A professora chegou tarde e de táxi e deu aula apenas para 3 alunos. Resumo da ópera: minha mãe foi chamada na escola no dia seguinte e eu classificada pela professora com uma líder estudantil aos 8 anos de idade.

Mudança de escola

Chego no ginásio (que corresponde ao período da 6a. à 9a. séries no ensino de hoje), mudo de escola e começo a sofrer bullying por ser nerd e ainda para ajudar tinha aluno que queria me bater na saída da escola. Decidi fazer uma parceria com o grupo que era minoria mas eram os mais briguentos e temidos da minha turma. Ninguém se metia com eles. Minha moeda de troca era ensinar o grupo nas disciplinas que eles não dominavam, ajudando-os a tirar boas notas nas provas e em troca ninguém se metia comigo uma vez que fazia parte do time de “bad boys and girls”. Desse grupo ficou a amizade com a Geni…uma mulher incrível, hoje já é avó e segundo ela, sempre me usou como exemplo para seus filhos e netos! Dizia a eles que deveriam estudar sempre.

Nessa época pensava em estudar arquitetura, mas inspirada pelas aulas de matemática onde o professor mostrava, em classe, alguns cálculos feitos na engenharia e eu mudei de idéia para estudar engenharia civil.

Indo para o colegial, ops ensino médio.

Tinha novos amigos e professores, continuava uma aluna dedicada em várias disciplinas mas agora sem sofrer bullying. Meu professor de português, percebendo meu desempenho, me entregou convites para ir à Feira de Informática, um evento gigante que acontecia no Anhembi nos anos 80 que depois passou a ser chamada de Fenasoft. Eu tinha um grupo de cinco amigas e as convidei para irem comigo. Elas foram, mas nenhuma se interessou pelo assunto… Nos separamos na faculdade pois 3 delas seguiram para a carreira de direito, uma foi para a medicina e outra pedagogia, áreas muitas distantes de exatas.

Rumo à Faculdade!

Eu estudava muito mas a bagagem que eu tinha era insuficiente para entrar em uma faculdade pública. Fui para o cursinho e no final passei apenas em engenharia civil no Mackenzie, além disso eu prestei Processamento de Dados na FATEC-SP, Computação USP e ITA. Meus pais não tinham condições de pagar a faculdade e eu também não trabalhava. Decidi que ia entrar no meio do ano na FATEC, ia estudar sozinha, fazer simulados no cursinho onde tinha estudado. O ano era 1987. Com base nas notas que tinha tirado na FUVEST, montei um plano de estudo onde ficava 50 minutos estudando cada disciplina e usava um despertador para me avisar que o tempo tinha acabado. Em paralelo dava aulas particulares de matemática, física e química que eram matérias utilizadas para desempate em caso de alunos com a mesma nota.

Em julho/1987 eu estava na lista dos 50 classificados no curso de Processamento de Dados na FATEC-SP sem nunca tinha ligado um computador. O mais perto que eu cheguei de um deles tinha sido na feira que me deixou encantada. Das 30 questões de matemática, eu acertei 27 e as demais matérias meu acerto foi de 80% nas provas, menos inglês que acertei apenas 1 questão, ufa! 

Essa foi a primeira batalha dentre muitas que eu enfrentaria durante uma carreira de 28 anos. Mas isso fica para a parte 2

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